Livros de Ficção Científica
Palavras-chave: Ficção Científica, Pessoal, Livros.
A ficção científica tem um papel importante na produção cultural contemporânea, no sentido em que ela vem a refletir sobre as mudanças e o nosso comportamento no futuro, que nem sempre é tão distante assim. Seja Asimov, com a Fundação e suas histórias passando-se daqui a 30, 40 mil anos, ou seja Huxley, em Admirável Mundo Novo ou Clarck em 2001 A Odisséia no Espaço, temos o contato com a produção criativa de várias brilhantes mentes científicas.
Isaac Asimov
É meu autor favorito de ficção-científica. Com certeza um dos maiores escritores de ficção científica de todos os tempos, mas não só isso. Ele era um polímata: apesar de formado em Química e pesquisador ativo na área, também entendia muito de Física, Matemática, Biologia, Astronomia, Cosmologia, Literatura, História, além de diversas outras áreas do conhecimento.
Ele escreveu um guia completo para a Bíblia, um guia de todas as obras de Shakespeare, diversos livros de divulgação científica, romances, mistérios. Essa multidisciplinaridade se reflete na sua produção literária. Não é raro no meio de um livro de ficção científica, encontramos referências a mitologia grega ou a história antiga.
Seu estilo é considerado hard, no sentido que os personagens têm pouca importância ou profundidade em relação ao enredo da história.
Suas histórias em geral se passam num futuro relativamente distante, sendo divididas basicamente entre as histórias de Robôs e as histórias do Império/Fundação (fora algumas que tentam unir esses dois tipos).
Robôs
Dentre as de robôs, a principal e o começo de tudo, é I Robot. Nele há uma coletânea de contos com histórias envolvendo robôs, e foi a primeira vez que apareceram de forma explicita as Leis da Robótica, mundialmente conhecidas hoje em dia, norteando inclusive alguns ramos da Inteligência Artificial.
É um excelente livro para se 'iniciar' em Asimov ou mesmo sci-fi em geral, foi o primeiro livro de Asimov que li. Logo em seguida temos The Rest of Robots que é uma espécie de continuação de I Robot incluindo diversos novos contos de robôs. Na opinião de Asimov o livro era uma droga, mas ele era meio perfeccionista. Em minha opinião, apesar de não ser tão bom quanto I Robot é divertido para passar algum tempo.
Logo a seguir temos mais alguns outros contos de robôs que ele escreveu e foram reunidos em The Complete Robot, que inclui aliás o hoje em dia famoso Homem Bicentenário, embora a versão para cinema tenha adulterado fortemente o 'espírito Asimoviano', quebrando inclusive a Primeira Lei da robótica.
Uma característica marcante das histórias de robôs de Asimov são justamente as brincadeiras lógicas e extensões das leis da robótica, que para não ficar sem mencionar são as seguintes:
- Primeira Lei da Robótica: um robô não deve ferir um ser humano ou por inação deixar que um ser humano sofra algum mal.
- Segunda Lei da Robótica: um robô deve obedecer às ordens de um humano, desde que essas não entrem em conflito com a primeira Lei.
- Terceira Lei da Robótica: um robô deve proteger a própria existência, desde que isso não incorra em descumprir a primeira ou segunda lei.
Só de uma primeira lida já podemos ter uma idéia do tipo de implicação que as leis podem ter. Por exemplo, um ser humano pode ordenar que um robô desmonte a si próprio, pois a terceira lei tem menos prioridade que a segunda. Foi pensando nas interações entre as leis e bolando os mais diversos problemas lógicos que Asimov chega ainda na Lei Zero da robótica, que diz que um robô não deve causar algum mal a humanidade nem por inação deixar que a humanidade sofra algum mal (estou escrevendo essas coisas de memória, caso eu cometa algum erro por favor me envie um e-mail avisando).
Império/Fundação
A Trilogia Fundação de Asimov é de longe uma das mais importantes obras de sci-fi escritas do mundo. Num futuro distante, é desenvolvida uma nova ciência por um grande gênio, Hari Seldon. O nome dessa ciência é a psicohistória, que reúne o rigor da matemática e da estatística à psicologia e à história, criando uma ferramenta poderosíssima, capaz de prever com um rigor estatístico o futuro de toda a humanidade dali a centenas de milhares de anos.
Usando essa poderosa ciência, Seldon prevê que o Império Galáctico entrará num colapso dali a 1000 anos, entrando numa era de trevas, onde todo o conhecimento seria perdido e o homem voltaria a barbárie, levando outros 40 mil anos para que se recuperasse a civilização. Entretanto, se a intervenção certa fosse feita no momento certo, esse tempo de recuperação poderia ser drasticamente reduzido para 1000 anos.
Ele começa então a criação de uma enciclopédia, a Enciclopédia Galática, a qual conteria todos os conhecimentos da época reunidos num lugar só, para que após a crise do Império, o homem pudesse sair das trevas em menos tempo, ao invés de ter que recriar todo o conhecimento, bastaria utilizar-se do conteúdo da enciclopédia.
Logo após o início da enciclopédia ele convence o imperador a disponibilizar e patrocinar a criação de duas Fundações, em lugares opostos da galáxia para que a continuação do trabalho de criação da Enciclopédia e da reconstrução do império após a crise.
Essa é um pouco da história de Fundação, que foi seguida por Fundação e Império e Segunda Fundação. É difícil falar sobre os dois livros que seguem Fundação se você não tiver familiaridade com o primeiro livro, mas basta dizer que são tão ou mais surpreendentes quanto o primeiro.
Essa trilogia foi escrita por volta de 1940/1950. Asimov ficou então uns 20 anos afastado de sci-fi e depois voltou a escrever histórias ambientadas no Império Galático. Alguns dizem que todas as histórias da fundação depois da trilogia são muito comerciais e deixam muito a desejar em relação às histórias iniciais. Eu li uns 20,30 livros de ficção científica dele, e apesar de ter gostado da trilogia em especial não notei uma diferença muito grande na qualidade dos livros.
Outros livros interessantes dessa safra são The End of Eternity, The Gods Themselves, Pebble in the Sky, The Currrents of Space e não poderia faltar aqui Nightfall.
Aos poucos vou acrescentando comentários sobre os outros livros, por hora, vou comentar Nightfall. Foi o primeiro livro que Asimov escreveu. Antes disso ele escreveu uma ou duas histórias mas elas se perderam e nunca foram publicadas. A história do livro é mais ou menos a seguinte: num sistema solar com diversos sóis, existia um planeta o qual nunca via a luz da noite. Durante dezenas de milhares de anos era sempre dia, as pessoas nasciam cresciam e morriam sem nunca ver a noite.
De tempos em tempos, digamos 40 mil anos, as estrelas tomavam um arranjamento tal que nenhum sol iluminava o planeta durante algum período de tempo - era a temida queda da noite (Nightfall). Durante esses 'eclipses' as pessoas entravam em loucura, a civilização entrava em colapso, com medo da temida queda da noite. Estudiosos cogitavam que a escuridão poderia enlouquecer as pessoas e causar outros danos terríveis físicos e psicológicos. No decorrer do livro estamos prestes a presenciar mais um desses eclipses, e acompanhamos a agonia e o colapso das pessoas ao redor.
É bem curto e o tema poderia ser um pouco melhor explorado, mas já revela os traços incipientes de um dos grandes da ficção científica, seja pela escolha da temática ou pela originalidade da abordagem.
Outros
Como já comentei acima, Asimov não escreveu somente sci-fi. Do gênero de romance, ele confessou que na verdade sci-fi sequer era o gênero predileto dele. Ele adorava escrever histórias de suspense, mistério, detetives. Tanto é que em The Caves of Steel nós temos uma história de detetive num ambiente futurístico. Entretanto ele escreveu algumas histórias somente de suspense, mistério mesmo, como The Tales of the Black Widowers, em que 5 amigos se reúnem num restaurante para contar histórias de mistério, onde o garçom sempre resolve os problemas.
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Comentários
- Erich Damien Girenz comentou.
2008-09-26 16:19:00Parece que o primeiro livro sobre robôs é do século III. É verdade?
Não encontrei nada sobre ele na internet.Fernando H Rosa respondeu.
2008-10-15 14:46:00Bom dia Erich,
O termo robô é bem recente, e surgiu como tal somente no século XIX, inventado por um escritor Checo (http://en.wikipedia.org/wiki/Robots_in_literature).
Entretanto a idéia de um ser não vivo em forma humanóide que opera de forma semi-autônoma é bem mais antiga - data inclusive de antes do século III.
Se você pesquisar na mitologia Greco-Romana (ver http://english.pravda.ru/science/mysteries/84374-0/), em particular a história de Hefesto, deus do fogo (em particular: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hefesto) você encontra que:
"[Hefesto] Construiu para si um magnífico e brilhante palácio de bronze, equipado com muitos servos mecânicos. De suas forjas saiu Pandora, primeira mulher mortal."
O que pela definição tradicional de robô poderiam ser considerados robôs (servos mecânicos).
A criatura mitológica chinesa Chi Yu também têm características que usualmente atribuímos à robôs. Assim, o meu chute seria que as histórias sobre robôs datam de bem antes do século III...